O BAILE DE BIRIBA
Biriba assoprou para as beiras (como bem diz Clerbet Luiz) de toda uma bacia hidrográfica, drenando - com 'sustenidas" notas em si bemol - inclusive o ponto de junção entre o Rio Grande e o seu principal afluente, o Rio Preto. Essa confluência foi muito bem representada pelos municípios de Formosa do Rio Preto e Santa Rita de Cássia, onde, sempre, foi contratado para animar as principais festas das referidas cidades.
A Biriba, a nossa homenagem.
A Biriba, a nossa homenagem.
Biriba enche o pulmão
como se fosse atravessar no fôlego
o rio Grande.
Diante do rio
percebe o leito saxsufocado de erosão.
Enquanto mordem suas margens,
ele assopra a ferida do amigo devastado.
Esvazia e enche de novo o pulmão
espalhando com o sax, o músico beiradeiro,
os acordes pela beira afora.
Acorda com os acordes do acordeon
como os galos tecendo a manhã.
Como quem abraça um conterrâneo,
coloca no peito a sanfona
(sua ponte de safena);
Olha do alto da ponte Ciro Pedrosa
as artérias do rio
entupidas de areia.
O fole do pulmão enche e murcha,
fole alegre de marcha e frevo;
fôlego longo pra gafieira
em frente da enfieira de peixe;
cardume de notas dó, ré, mi, fá...
mergulham no rio
vazio de dourados e curimatás;
notas sustenidas no ar
como o anzol de Serafim.
“bem mal que eu fizesse assim”
pensa Biriba, em Si bemol,
que nunca pescou surubim.
Larga a sanfona e pega o sax.
Uma nota aguda atinge a margem de cá.
Uma nota grave faz tremer a vidraça alheia
(seu telhado é de cerâmica, não de vidro)
De vidro é nosso ouvido
num zumbido a noite inteira
ao fim da gafieira.
Ritinha dança como se não houvesse amanhã;
as filhas de João Abóbora
dançam até o sol raiar;
Irá, que não era desse tempo,
por ouvir falar
é que dança em lembrança
do que não viveu.
A dura embocadura de Biriba
soprando o sax
como um vento soprando um barco a vela;
e o rio Grande desembocando sem força e sopro
no leito do Velho Chico.
Sanfoneiro cochilou e morreu dormindo
e o forró continuou
como as águas contínuas.

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