04/07/2016

OESTE BAIANO: BOATO RIBEIRINHO DE COMO MORRE UM RIO


Rio Preto - Formosa do Rio Preto
Texto redundante para nós ribeirinhos, acostumados a desfrutar das águas de rios caudalosos como são o rio Preto, Grande, ambos afluentes do São Francisco.

"Na maioria das vezes, a "gestação" de um rio começa com as chuvas em regiões montanhosas. As águas podem correr pela superfície ou infiltrar-se no solo. Outra possibilidade é ele nascer após o degelo da neve do cume de montanhas. As águas penetram perpendicularmente no solo, através de espaços vazios entre as rochas, até encontrar um extrato de rocha impermeável.
Aí se forma o lençol freático, espécie de rio subterrâneo que pode estar a dezenas de metros de profundidade. O lençol freático flui subterraneamente, acompanhando o desenho do relevo, do local mais alto para o mais baixo. Com o tempo, porém, alguns pontos da superfície ficam tão desgastados pela erosão que acabam permitindo o brotamento das águas subterrâneas. É quando surge a nascente do rio. Acidentes geológicos, como terremotos, também podem fazer o lençol aflorar na superfície, dando origem a um manancial, o chamado olho d’água. No percurso rumo ao mar, o curso d’água encontra todo tipo de terreno. Quando passa por áreas mais íngremes, torna-se uma baita corredeira e segue cavando suas margens ao desgastar o solo ao redor. Nesses trechos, ele é chamado de rio juvenil. (...). Quando erosão e sedimentação se equilibram, o rio é chamado de maduro. (...) Também rolam as horas de calmaria total, em que o rio quase não desgasta suas bordas, fluindo preguiçosamente enquanto deposita sedimentos por onde passa. Nessas áreas, ele acaba formando vales largos e extensas planícies, sendo chamado de senil. Apesar dos nomes - juvenil, maduro e senil -, as fases do rio não têm a ver com idade, mas com o modo de fluir. Por exemplo, se ele vem na boa, num planalto, e encontra um degrau, passa de senil a juvenil de uma vez, despencando numa cachoeira. Seja como for, vencidos os obstáculos, o rio finalmente desemboca no mar, doce mar."

Entretanto, ainda não é redundante para quem se utiliza das benesses que eles nos têm oferecido até agora, o texto que relata o fato incontestavelmente real, de como morre um rio, ainda tratado, inclusive pelo autor, na leveza e simplicidade de sua poesia, de BOATO RIBEIRINHO.
Lenta e gradativamente, a morte está bem próxima para nós, riopretenses também, apesar da agradável aparência do nosso Rio Preto. Isto é fato. Veja e ouça sobre o atual contexto da bacia hidrográfica do rio São Francisco.
Rio São Francisco


BOATO RIBEIRINHO

Corre um boato na beira do rio
Que o velho Chico pode morrer
Virar riacho e correr p'ro nada
Viajando por temporada
Quando a chuva do meu Deus
Dará chegar, dará chegar
Já dizia Frei Luiz de Xiquexique
Quão chique é ter
Um rio pra nadar a correr
Quão chique é ter
Um rio pra pescar e pra beber
Não deixe morrer
Não deixe o rio morrer
Se não, que será de mim
Que só tenho esse rio pra viver
Que será
Que será de mim
Que será de José Serafim
Qual será o destino do menino
Que nasceu e cresceu aprendendo a pescar surubim
Não deixe morrer
Não deixe o rio morrer
Se não morre o ribeirinho
De fome, de sede, de sei lá o quê
Se não morre o ribeirinho
De fome, de sede, de sei lá o quê.”

Música : Boato Ribeirnho
(Nilton Freitas, Wilson Freitas e Wilson Duarte)
Voz: Targino Gondim
Cd:Belo Sertão 2006

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