10/06/2014

EDUCAÇÃO INCLUSIVA, UMA REALIDADE EM FORMOSA DO RIO PRETO

Partindo do princípio de que a inclusão escolar ideal dependa e exija modelo diferente das propostas já existentes; considerando que a inclusão advenha do nível de percepção, conhecimento, experiências e práticas pedagógicas dos professores, bem como de peculiaridades vivenciadas no ambiente cotidiano de todos os envolvidos (escola e família), é seguro afirmar que para a inclusão do aluno com deficiência ou com necessidades especiais é necessário que ele seja visto como um cidadão capaz e integrado ao meio social, dentro e fora da escola. Por isso a inclusão escolar tem sido um dos maiores desafios do sistema educacional.
Em Formosa do Rio Preto, assim como em todo o país, as dificuldades enfrentadas no sistema de ensino exigem criatividade, oportunidade em que a escola se esforça para superar a lógica da exclusão e a educação inclusiva assume o papel central para que todos os alunos, sem exceção, tenham suas peculiaridades atendidas, implicando em mudança estrutural e cultural da escola para realização dessa árdua tarefa.



Sem fugir aos princípios básicos legais e adequando-se ao contexto vivenciado no município, a Secretaria Municipal de Educação vai da teoria, às práticas mais artesanais para fazer com que a inclusão aconteça em escolas de qualquer nível e, assim, propiciar ensino de qualidade a todos os alunos, independentemente de seus atributos pessoais, inteligência, estilo de aprendizagem e necessidades comuns ou especiais. Literalmente, é uma forma de inserção em que a escola comum tradicional é modificada para ser capaz de acolher qualquer aluno, isto é, as pessoas com deficiência estudam na escola que frequentariam se não fossem deficientes ou especiais, sem distinção de cor, raça, idade, credo, cultura.
Face ao contexto político-pedagógico, com carência de equipe auxiliar na sala de ensino regular; sem o carinho e dedicação de professores envolvidos na causa e que pensam coletivamente, interagindo de forma sensata, não teria como alunos com necessidades educativas especiais ou não, aprenderem com qualidade ou terem acesso ao conhecimento, à cultura e, principalmente, progredirem no aspecto pessoal e social.
Com espaço lúdico organizado coerentemente às competências do aluno e ao seu ritmo e nível de desenvolvimento, o material é agrupado de forma a não limitá-lo a um universo simbólico, mas que lhe permita atribuir novo significado a acontecimentos através da mudança em sua visão de mundo, promovendo-lhes oportunidade a renovar o significado das coisas.


São cinco salas funcionando em escolas diferentes, na sede do município: duas no Colégio Nossa Senhora Aparecida, sendo que uma delas é espaço cedido para a Escola Luiz Viana Filho; uma no Colégio Sagrado Coração de Jesus; uma na Creche Casulo e uma no Colégio Joaquim Alexandre. Ao todo, essas escolas comportam 149 alunos, incluindo os que mantêm residência na zona rural. As professoras Edvânia e Jacy, ambas da Sala de Recursos Multifuncionais do Colégio Nossa Senhora Aparecida, a exemplo das demais, utilizam de diversos recursos como lupa eletrônica para baixa visão, alfabeto e digitação em braille e material tátil para educandos cegos ou com baixa visão; jogos virtuais para desenvolvimento intelectual com lógica matemática, entre outros, conforme ilustração:
As salas trabalham com dois projetos: ADA - Atendimento a Dificuldades de Aprendizagem e o AEE - Atendimento Educacional Especializado. Vale dizer que há projeto para construção de um núcleo na localidade de Intans, comunidade do entorno do município,  o qual já encontra-se em processo de organização.
Segundo a coordenadora, Karol Elvas, está programado, também, para este ano letivo, a formação de uma Equipe Multidisciplinar com atendimentos psicológicos, bem como fonoaudiólogos para acompanhar o desenvolvimento escolar e pessoal dos alunos do dois projetos.

 


Conclui-se, portanto, que as Salas de Recursos Multifuncionais - SRM, as quais ofertam o Atendimento Educacional Especializado, têm como maior objetivo transformar vidas, trazendo a chance de mudanças para estas pessoas que, por anos, foram banidas dos meios sociais e escolares, permitindo que sejam protagonistas da sua própria história, bem como a chance de escrever capítulos de superação, com vida social também de qualidade. Essa convivência gera, automaticamente, uma parceria colaborativa, uma mudança na hierarquia de valores, desenvolvendo percepção de igualdade e reconhecimento de que cada uma delas tem suas particularidades.
LAICÍLIA LÉLIS

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