Partindo do princípio de que a
inclusão escolar ideal dependa e exija modelo diferente das propostas já
existentes; considerando que a inclusão advenha do nível de percepção,
conhecimento, experiências e práticas pedagógicas dos professores, bem como de
peculiaridades vivenciadas no ambiente cotidiano de todos os envolvidos (escola
e família), é seguro afirmar que para a inclusão do aluno com deficiência ou
com necessidades especiais é necessário que ele seja visto como um cidadão
capaz e integrado ao meio social, dentro e fora da escola. Por isso a inclusão
escolar tem sido um dos maiores desafios do sistema educacional.
Em Formosa do Rio Preto, assim
como em todo o país, as dificuldades enfrentadas no sistema de ensino exigem
criatividade, oportunidade em que a escola se esforça para superar a lógica da
exclusão e a educação inclusiva assume o papel central para que todos os
alunos, sem exceção, tenham suas peculiaridades atendidas, implicando em
mudança estrutural e cultural da escola para realização dessa árdua tarefa.
Sem fugir aos princípios básicos
legais e adequando-se ao contexto vivenciado no município, a Secretaria
Municipal de Educação vai da teoria, às práticas mais artesanais para fazer com
que a inclusão aconteça em escolas de qualquer nível e, assim, propiciar ensino
de qualidade a todos os alunos, independentemente de seus atributos pessoais,
inteligência, estilo de aprendizagem e necessidades comuns ou especiais.
Literalmente, é uma forma de inserção em que a escola comum tradicional é
modificada para ser capaz de acolher qualquer aluno, isto é, as pessoas com
deficiência estudam na escola que frequentariam se não fossem deficientes ou
especiais, sem distinção de cor, raça, idade, credo, cultura.
Face ao contexto
político-pedagógico, com carência de equipe auxiliar na sala de ensino regular;
sem o carinho e dedicação de professores envolvidos na causa e que pensam
coletivamente, interagindo de forma sensata, não teria como alunos com
necessidades educativas especiais ou não, aprenderem com qualidade ou terem acesso
ao conhecimento, à cultura e, principalmente, progredirem no aspecto pessoal e
social.
Com espaço lúdico organizado
coerentemente às competências do aluno e ao seu ritmo e nível de
desenvolvimento, o material é agrupado de forma a não limitá-lo a um universo
simbólico, mas que lhe permita atribuir novo significado a acontecimentos
através da mudança em sua visão de mundo, promovendo-lhes oportunidade a
renovar o significado das coisas.
São cinco salas funcionando em
escolas diferentes, na sede do município: duas no Colégio Nossa Senhora
Aparecida, sendo que uma delas é espaço cedido para a Escola Luiz Viana Filho;
uma no Colégio Sagrado Coração de Jesus; uma na Creche Casulo e uma no Colégio
Joaquim Alexandre. Ao todo, essas escolas comportam 149 alunos, incluindo os
que mantêm residência na zona rural. As professoras Edvânia e Jacy, ambas da
Sala de Recursos Multifuncionais do Colégio Nossa Senhora Aparecida, a exemplo
das demais, utilizam de diversos recursos como lupa eletrônica para baixa
visão, alfabeto e digitação em braille e material tátil para educandos cegos ou
com baixa visão; jogos virtuais para desenvolvimento intelectual com lógica
matemática, entre outros, conforme ilustração:
As salas trabalham com dois
projetos: ADA - Atendimento a Dificuldades de Aprendizagem e o AEE -
Atendimento Educacional Especializado. Vale dizer que há projeto para
construção de um núcleo na localidade de Intans, comunidade do entorno do
município, o qual já encontra-se em
processo de organização.
Segundo a coordenadora, Karol Elvas, está programado, também, para este
ano letivo, a formação de uma Equipe Multidisciplinar com atendimentos
psicológicos, bem como fonoaudiólogos para acompanhar o desenvolvimento escolar
e pessoal dos alunos do dois projetos.
Conclui-se, portanto, que as
Salas de Recursos Multifuncionais - SRM, as quais ofertam o Atendimento
Educacional Especializado, têm como maior objetivo transformar vidas, trazendo
a chance de mudanças para estas pessoas que, por anos, foram banidas dos meios
sociais e escolares, permitindo que sejam protagonistas da sua própria história,
bem como a chance de escrever capítulos de superação, com vida social também de
qualidade. Essa convivência gera, automaticamente, uma parceria colaborativa,
uma mudança na hierarquia de valores, desenvolvendo percepção de igualdade e
reconhecimento de que cada uma delas tem suas particularidades.
LAICÍLIA LÉLIS


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